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Revista Shows > Blog > Notícias > O novo consumidor funerário: Como o fim do tabu sobre a morte transforma o setor no Brasil, com Tiago Oliva Schietti
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O novo consumidor funerário: Como o fim do tabu sobre a morte transforma o setor no Brasil, com Tiago Oliva Schietti

Rachel Alderford
Rachel Alderford Publicado maio 25, 2026
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Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti
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A morte sempre ocupou um lugar desconfortável na cultura brasileira, cercada de silêncio e evitação. No entanto, esse cenário está mudando de forma acelerada. Tiago Oliva Schietti, especialista no setor funerário, aponta que a quebra progressiva do tabu em torno da morte está criando um perfil inédito de consumidor: mais informado, exigente e disposto a planejar os próprios rituais com antecedência. Esse movimento representa não apenas uma transformação cultural, mas também uma profunda revolução no modelo de negócios do mercado funerário brasileiro.

Nas próximas seções, você vai entender como essa mudança de mentalidade está redefinindo o setor, quais são as novas demandas do consumidor e por que as empresas precisam se adaptar com urgência. Se você atua no setor ou busca compreender esse fenômeno, continue a leitura.

O tabu sobre a morte ainda domina o comportamento do consumidor funerário?

Durante décadas, falar sobre morte no Brasil era considerado presságio de azar ou sinal de morbidez. Esse tabu cultural fez com que a maioria das decisões funerárias fosse tomada em momentos de intensa dor emocional, sem planejamento prévio e com pouca margem para escolhas conscientes. O resultado foi um mercado marcado pela impulsividade, pela vulnerabilidade dos enlutados e por uma relação de passividade entre cliente e prestador de serviço.

Esse paradigma, contudo, começa a ruir. O avanço do acesso à informação, somado ao impacto cultural da pandemia de Covid-19, acelerou um processo que já estava em curso: a normalização das conversas sobre finitude. À medida que a sociedade amadurece esse debate, o consumidor passa a encarar o planejamento funerário não como tabu, mas como responsabilidade e cuidado com os que ficam.

Como o novo consumidor funerário está redefinindo as exigências do mercado?

Na avaliação de Tiago Oliva Schietti, o novo perfil de consumidor funerário no Brasil chegou com demandas que o setor tradicional não estava preparado para atender. Esse consumidor pesquisa, compara preços, avalia a reputação online das empresas e exige transparência nos contratos de planos funerários. Ele não aceita mais a opacidade que historicamente marcou esse mercado, e isso pressiona as empresas a reverem suas práticas comerciais e comunicativas.

Para além da transparência, cresce igualmente a busca por personalização. Cerimônias que reflitam a trajetória única de cada pessoa, com elementos simbólicos, músicas específicas e ambientações diferenciadas, deixaram de ser exceção para se tornarem expectativa. O mercado que não acompanhar essa virada cultural corre o risco de perder espaço para concorrentes mais ágeis e sensíveis às novas demandas.

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

De que forma o planejamento antecipado está ganhando força no Brasil?

O planejamento funerário antecipado, prática comum em países como Estados Unidos e Reino Unido, começa a ganhar relevância no Brasil. Impulsionado pela maior abertura ao tema, esse modelo permite que o próprio indivíduo defina, em vida, como deseja ser lembrado e quais serviços devem ser contratados. A adesão a planos preventivos cresce especialmente entre as faixas etárias acima dos 50 anos, mas já desperta interesse em adultos mais jovens.

Tiago Oliva Schietti observa que esse comportamento preventivo reflete uma mudança profunda de mentalidade: a morte passa a ser tratada como etapa da vida que merece atenção e planejamento, e não como assunto a ser evitado até o último momento. Para as empresas funerárias, esse é um sinal claro de que o modelo reativo, baseado apenas no atendimento emergencial, já não responde à totalidade das oportunidades do mercado.

Quais são os impactos dessa transformação para as empresas do setor funerário?

Do ponto de vista empresarial, as implicações dessa transformação são profundas. Empresas que investem em comunicação humanizada, atendimento consultivo e presença digital saem na frente em um mercado que, por muito tempo, operou sem grandes incentivos à inovação. A construção de confiança tornou-se um diferencial competitivo tão relevante quanto o preço ou a localização.

Em linha com essa perspectiva, a análise de Tiago Oliva Schietti reforça que a digitalização do setor funerário não é mais opcional. Plataformas de atendimento online, agendamento de serviços e conteúdo educativo sobre planejamento de fim de vida são ferramentas que aproximam as empresas do novo consumidor e constroem relacionamentos duradouros muito antes de qualquer necessidade emergencial surgir.

A experiência do luto também está sendo repensada nesse novo contexto?

O luto, historicamente tratado como um processo privado e silencioso na cultura brasileira, também passa por uma revisão significativa. Cresce o número de pessoas que buscam cerimônias de despedida mais acolhedoras, participativas e alinhadas com os valores do falecido. Esse movimento impulsiona a demanda por profissionais capacitados para conduzir rituais com sensibilidade e criatividade.

Nesse cenário, vale destacar a perspectiva de Tiago Oliva Schietti: o cuidado com a experiência do luto não termina no momento do sepultamento. As empresas que oferecem suporte emocional pós-funeral, seja por meio de grupos de apoio, seja por acompanhamento individualizado, constroem vínculos genuínos com as famílias e se posicionam como parceiras em um dos momentos mais delicados da vida humana.

O mercado funerário brasileiro diante de uma virada histórica

O Brasil atravessa uma transição cultural significativa em relação à morte, e o mercado funerário está no centro dessa mudança. A combinação entre maior acesso à informação, o impacto da pandemia e a chegada de consumidores mais conscientes e exigentes criou um ambiente propício para a modernização do setor. Empresas que compreenderem essa dinâmica e adaptarem seus modelos de negócio terão diante de si uma oportunidade real de crescimento sustentável.

Ao longo deste artigo, ficou evidente que o fim do tabu sobre a morte não é apenas uma tendência comportamental passageira, mas uma transformação estrutural que veio para ficar. A trajetória apontada por Tiago Oliva Schietti indica que o novo consumidor funerário brasileiro já existe, já demanda e já escolhe. Cabe ao mercado estar à altura dessa nova realidade.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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