Como menciona o especialista Rodrigo Balassiano, a relação entre fundos de investimento e criptomoedas tem se intensificado nos últimos anos, impulsionada pela crescente demanda por ativos digitais e pela busca de diversificação nas carteiras. Com a consolidação das criptomoedas como uma classe de ativos relevante no cenário global, os fundos de investimento começaram a explorar formas reguladas de exposição ao mercado cripto, seja por meio de cotas em ETFs, derivativos ou ativos digitais diretamente.
Descubra como o avanço regulatório pode redefinir o papel das criptomoedas nas estratégias dos fundos — e por que isso pode representar novas oportunidades (ou riscos) para o seu portfólio.
Como os fundos de investimento e criptomoedas estão estruturados atualmente no Brasil?
Os fundos de investimento e criptomoedas no Brasil ainda operam com limitações, principalmente devido à ausência de uma legislação específica que trate dos ativos digitais como instrumentos regulamentados. Atualmente, a exposição a criptoativos é permitida apenas de forma indireta para investidores qualificados, por meio de derivativos, cotas de fundos internacionais ou ETFs com lastro em moedas digitais. Essa estrutura visa mitigar riscos, mas também limita o acesso amplo ao mercado cripto.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já publicou orientações sobre o tema, destacando que, embora os fundos não possam adquirir diretamente criptomoedas no mercado à vista, é possível incluir produtos financeiros expostos a esses ativos, desde que observadas as regras de diversificação, liquidez e transparência. Dessa forma, a participação em ETFs de bitcoin, por exemplo, tornou-se uma alternativa viável e regulamentada para os fundos.
Contudo, como pontua Rodrigo Balassiano, essa abordagem ainda é conservadora e restrita, o que reflete a preocupação do regulador com questões como lavagem de dinheiro, volatilidade excessiva e custódia segura dos ativos. A ausência de regras detalhadas cria um ambiente de incerteza jurídica, o que dificulta o desenvolvimento de produtos mais sofisticados e amplia o desafio de avaliação dos riscos envolvidos na alocação de recursos em criptomoedas.
O que a regulação pode mudar nos fundos de investimento e criptomoedas?
A evolução da regulação para fundos de investimento e criptomoedas pode trazer maior clareza, segurança jurídica e abertura para novos produtos no mercado financeiro. Espera-se que a regulamentação defina, de forma objetiva, quais tipos de criptoativos podem compor a carteira dos fundos, os requisitos para custódia segura, os parâmetros de valuation e os limites de exposição a ativos digitais. Isso será crucial para consolidar a legitimidade das criptomoedas como uma classe de ativos dentro do sistema financeiro tradicional.
Com regras claras, os fundos poderão ampliar sua atuação, inclusive permitindo o acesso direto a criptomoedas por meio de gestoras especializadas e plataformas regulamentadas. Segundo o especialista da área Rodrigo Balassiano, isso também pode impulsionar o surgimento de fundos híbridos, que combinem ativos tradicionais com criptoativos, proporcionando mais alternativas de diversificação aos investidores. Além disso, a regulação deve estabelecer padrões para avaliação de riscos, auditoria de ativos digitais e exigências de governança.
Quais os impactos da regulação para investidores e gestores de fundos?
Conforme Rodrigo Balassiano, a regulamentação dos fundos de investimento e criptomoedas impactará diretamente o comportamento dos investidores e a forma como os gestores estruturam seus produtos. Para os investidores, a principal vantagem será o aumento da segurança jurídica e da transparência, reduzindo riscos operacionais e fortalecendo a confiança no mercado cripto. A regulação também deve permitir que um público mais amplo — além dos investidores qualificados — possa ter acesso controlado a esses ativos por meio de fundos.
Para os gestores, a criação de um arcabouço legal traz novas oportunidades, mas também impõe desafios. Será necessário adaptar os processos internos, desenvolver estruturas de compliance voltadas ao universo digital e buscar parcerias com custodiante e exchanges que operem de acordo com padrões regulatórios. A gestão ativa de fundos cripto exigirá conhecimento técnico específico e atualização constante diante da rápida evolução tecnológica desse mercado.
Autor: Vasily Egorov